Roma, Besiktas e Aston Villa fizeram ofertas por Samuel Lino, Léo Pereira e Emerson Royal durante a janela, mas diretoria priorizou a força do time mesmo ficando abaixo da meta de vendas
O Flamengo decidiu preservar sua equipe principal durante a última janela de transferências, mesmo diante de propostas que poderiam ter aproximado o clube da meta financeira estabelecida para 2026. Entre junho e julho, Roma, Besiktas e Aston Villa apresentaram ofertas oficiais por Samuel Lino, Léo Pereira e Emerson Royal, respectivamente, mas a diretoria optou por manter os jogadores considerados importantes para Leonardo Jardim.
A escolha teve uma consequência financeira que já está confirmada: o Flamengo encerrou o período de transferências com R$ 171,6 milhões arrecadados em vendas, contra aproximadamente R$ 250 milhões previstos no orçamento para a temporada. A diferença é de cerca de R$ 78,4 milhões.
O cenário ajuda a explicar uma decisão que, segundo o ge, foi tratada internamente como um risco calculado. A diretoria preferiu preservar peças do time em vez de transformar propostas por titulares em negociações concretizadas, apostando na possibilidade de conquistar o bicampeonato consecutivo do Campeonato Brasileiro e da Libertadores.
Lino recebeu a maior proposta
Samuel Lino foi o jogador que recebeu a oferta mais alta entre os três titulares. A Roma colocou 25 milhões de euros, aproximadamente R$ 140 milhões na cotação da época, na mesa pelo atacante.
A proposta chamou atenção pelo valor, especialmente porque Lino é um dos principais jogadores do elenco e vive uma temporada de destaque. Ainda assim, o Flamengo decidiu não abrir mão do atleta e manteve a estrutura ofensiva para a sequência decisiva de 2026.
A escolha ganhou ainda mais relevância com o desempenho recente do jogador. Lino chegou a 14 gols na temporada e também soma 11 assistências, números que fazem de 2026 sua temporada mais produtiva em participação direta em gols.
Léo Pereira e Emerson Royal também permaneceram
A segunda oferta envolveu Léo Pereira. O Besiktas apresentou uma proposta oficial de 10 milhões de euros fixos, cerca de R$ 58 milhões, pela totalidade dos direitos econômicos do zagueiro.
O Flamengo recusou a oferta rapidamente e deixou clara a intenção de manter o defensor. Além da condição de titular, Léo Pereira tinha contrato com o clube até o fim de 2027 e era considerado uma peça importante na formação de Leonardo Jardim.
Emerson Royal, por sua vez, foi alvo do Aston Villa. O clube inglês ofereceu 9 milhões de euros, pouco mais de R$ 53 milhões na cotação utilizada na época. O Flamengo avaliou a possibilidade, mas decidiu não avançar com a negociação.
Um dos fatores considerados foi a necessidade de reposição para a lateral direita. Royal era uma alternativa importante para o setor, ao lado de Guillermo Varela, e a diretoria entendeu que uma venda exigiria uma nova movimentação no mercado.
Assim, somente essas três propostas representavam valores que, somados, ultrapassariam R$ 250 milhões na conversão aproximada utilizada nas respectivas negociações. Isso não significa, porém, que todo esse montante entraria necessariamente nos cofres do Flamengo de forma líquida ou imediata, já que transferências podem envolver diferentes condições, direitos econômicos e pagamentos parcelados.
Decisão esportiva aumenta pressão sobre o fim do ano
A opção por manter os titulares ganhou peso porque o Flamengo chegou à reta final da temporada ainda na disputa pelos principais objetivos esportivos. O clube lidera o Campeonato Brasileiro e está nas semifinais da Libertadores, justamente as duas competições que podem proporcionar o resultado esportivo buscado pela diretoria.
O planejamento financeiro, entretanto, ficou mais apertado. Além de terminar abaixo da previsão de receitas com transferências, o Flamengo sofreu o impacto do cancelamento da venda de Gonzalo Plata ao Dínamo Moscou, negociação que poderia ter acrescentado cerca de R$ 60 milhões à vista ao caixa do clube.
A situação financeira também ganhou um novo elemento nas últimas semanas com a incerteza envolvendo o contrato com a Betano. O acordo poderia representar até R$ 268 milhões anuais para o Flamengo, e a possibilidade de perda dessa receita aumentou a preocupação com o fluxo de caixa para os próximos períodos.
O diretor de futebol José Boto reconheceu que, em um cenário mais adverso, o clube poderia precisar negociar jogadores importantes para cumprir compromissos financeiros. Ao mesmo tempo, afirmou que salários de atletas e funcionários estão garantidos até 2027.
Dessa forma, a decisão de não vender Samuel Lino, Léo Pereira e Emerson Royal não eliminou a necessidade de o Flamengo buscar receitas. O clube simplesmente escolheu preservar o elenco em um momento considerado decisivo, aceitando o risco de não cumprir a meta de transferências em troca da tentativa de alcançar um feito que ainda não conseguiu: conquistar o Campeonato Brasileiro e a Libertadores em temporadas consecutivas.
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